Vamos para o Instagram?

Sabe como é. Vida de mãe, trabalho 24h, demandas múltiplas. Esse espaço acabou meio abandonado. Mas o comichão da escrita continua me mordendo. Estou no instagram escrevendo o @diariodoapocalipse, sobre as neuras diárias dessa quarentena. Vou postar os textos aqui tb, mas me segue lá, que tá atualizado mais rápido.

Você é o que você come

Então minha filha entrou nos cinco meses e pouco e bateu aquela aflição sobre alimentação. Aos seis meses começa a introdução alimentar (IA) e seria necessário conhecer este universo.

Comecei a estudar nutrientes, alimentos, maneiras de preparo, receitinhas, métodos de alimentação (papinha, blw, bliss). E a entrar em profundos questionamentos.

Como posso desejar que minha filha se alimente de verduras, frutas, legumes se eu raramente vejo essas cores em meu próprio prato? Como proporcionar uma educação alimentar apropriada se como diariamente doces, pães, chocolates em abundância?

É preciso compreender que os filhos imitam o que veem, e não as idéias, os ideais, os pensamentos. Eles são abertos congnitivamente, grandes observadores, e absorvem tudo da realidade concreta – aquilo que veem ao seu redor, aquilo que fazem próximo a eles e com eles, aquilo que está no ambiente. E especialmente com amor, por amor.

Então, eu e meu companheiro tivemos longas conversas sobre nossa própria alimentação. Nossos hábitos, ou falta de, nossos vícios, nossos desejos e interesses.

E assim passei a frequentar feira, hortifrúti, quitandas. A comprar vegetais que há muito tempo tinham sumido de vista. Coisas que comi na infância na casa da vó, na casa da mãe, na casa das tias e que, por algum motivo se tornaram raros e ausentes quando passei a morar sozinha.

A praticidade, a pressa da vida urbana, aliada ao pouco tempo disponível, a preguiça, a facilidade de comprar tudo pronto faz com que acabemos privilegiando o carboidrato, os pré-prontos, os congelados, processados, ultraprocessados. Alimentos ricos em açúcar, em conservantes, estabilizantes e acidulantes. E pobres em nutrientes, cores, sabores.

Esse mergulho no hortifrúti foi essencial. Para refletir sobre mim mesma, o que estou sendo, como me vejo, como me alimento. Ver minhas unhas mais fortes, meu cabelo parar de cair, a pele do rosto mais bonita. Sim, bem clichê, ficando mais bela de dentro para fora.

E é um choque. O vício do açúcar, os momentos de abstinência (sim fui reduzindo açúcar e derivados de vaca, não tirei totalmente mas diminui bastante), que traz um certo nervosismo, euforia, ansiedade foi aos poucos dando lugar para a saciedade, para uma tranquilidade, um prazer em comer. Que se estende para o prazer de ir buscar, pesquisar alimentos e receitas, de frequentar a feira, de lavar, temperar, preparar cada um desses alimentos, até se transformar em uma saborosa refeição.

Dá um certo trabalho, e precisa de um pouco de força de vontade. Mas vale muito a pena.

Tenho sentido muito prazer nisso tudo. Fiz as pazes com a cozinha.

Acredito que por algum tempo a cozinha foi vista como espaço de opressão das mulheres, que ficavam confinadas ao reino do lar, e ao fogão. E ainda é naquelas famílias onde lugar de mulher é na cozinha, onde só as mulheres entram, fazem e organizam este espaço, onde macho só entra carregando sacola. E embora meu companheiro se interesse em aprender, se arrisque a fazer algumas coisas, obviamente que o grosso, a maior parte fica para mim. Sim, questionei se isso era mesmo uma vantagem, ou se eu estava retornando para o lugar da dona de casa – já basta ter um bebe, não estar trabalhando, ficar bastante restrita em casa.

Mas veja, a cozinha pode também ser o espaço de independência e liberdade, onde podemos aprender sobre nosso dia a dia, sobre a natureza, sobre a integração com o ambiente e sobre nossa saúde. Aliás é um lugar maravilhoso para se investir em saúde, em realizar experimentos, em ocupar mentes, mãos e afetos.

Há lindas filosofias orientais que oferecem uma visão que considero mais acertada sobre nós mesmos. E nestas maneiras de ver, o ser humano (especialmente o urbano ocidental) está muito infantilizado, muito dependente, e precisa se responsabilizar por si próprio. E essa responsabilidade de si começa em casa – limpando a própria sujeira, fazendo a própria comida. Não terceirizar este processo. Independente da condição financeira, há um certo ranço colonial de desejar ter funcionários para fazer isso. E há um ímpeto de auto cuidado e independência em se responsabilizar por seus espaço, sua alimentação. Porque o espaço da casa, e especialmente o espaço da comida gera e demanda muita energia. Para além dos alimentos e dos nutrientes, há a energia que desprendemos no preparo, o ingrediente secreto, o “amor” que é percebido quando nos alimentamos com uma comida saborosa. Fazer com cuidado, atenção, afeto é um diferencial em qualquer preparo. É um cuidado de si. E é uma doação de si.

E é uma sensação maravilhosa perceber-se em uma mudança interna, de dentro para fora, provocada pela maternidade e pela urgência de uma necessidade de minha filha. Como estou crescendo e aprendendo com a maternidade. Em paz. Sem raiva, sem culpa, sem stress. Ainda tenho muito para aprender, sei que vamos passar por diversas fases, mas só de proporcionar uma reflexão e uma transformação na alimentação da casa toda é maravilhoso.

Para adequar ainda mais este processo centrado na criança fomos orientados pela pediatra a procurar uma nutricionista. Isso me alegra tanto. Uma pediatra que não se arrisca a fazer receitas, que reconhece o valor de outro especialista e do trabalho em equipe, ao passo que a nutricionista em questão também está atualizada em sua área de domínio, conhece e compreende as necessidades do bebê, da família, e as novas pesquisas da área. Aí é de matar de amor uma mãe que “só” deseja o melhor para sua filha, sua família e para si mesma. Foi também uma ótima oportunidade de tirar dúvidas, e de ter a orientação necessária, pois apesar de ser um processo “simples”, muitos pequenos detalhes são bacanas de conhecer, como as manobras de desengasgo, os alimentos potencialmente alergênicos, a oferta gradativa, e os mitos, as coisas antigas, ultrapassadas. Me sinto confiante e feliz em começar este processo com a Tatá, pois ela está crescendo rápido e poder estar informada, empoderada, atenta às necessidades dela, bem orientada pelos profissionais, e mais do que tudo, em paz comigo mesma, sem culpas, sem neuras, com certeza vai ajudar a ela se desenvolver da maneira mais natural e saudável possível.

Ainda sobre o parto

Me chamam de romântica por acreditar que o parto deveria ser um trabalho espiritual.

Falaram que meu texto não tem valor porque não é cientifico.

Me julgam de ingênua por defender uma imersão no processo de parto, por acreditar que há um mergulho que muda profundamente corpo e alma da mulher.

Me disseram que o que eu escrevi sobre parir é um desserviço porque idealiza e fetichiza o parto, realocando a mulher na condição de femea mamífera, enfeitando com gliter e menção a deusa estabelecendo uma nova forma de opressão as mulheres.

Em algum ponto que eu não entendi ainda disseram que eu fiz a distinção entre parto vaginal e cesária, e que ninguém é menos mãe por ter cesárea.

E ainda me chamaram de machista.

Logicamente tais sentenças mexeram muito comigo.

Eu, que acredito no direito das mulheres, na humanização do parto e da assistência, eu que defendo o protagonismo da mulher e da criança.

Eu que não julgo, busco não agredir, não criticar de maneira direta ou clara certas escolhas – que na verdade não tem nada de escolha, pois não há uma real consciência da implicação das consequências da mesma, vide mulheres que fazem cesárea eletiva porque são induzidas pelos médicos e sua conveniência e que não apresentam os riscos da cirurgia e os benefícios do processo natural – mas procuro aceitar, compreender que estão imersas em sistemas sociais opressores que muitas vezes nem tem clareza da existência e que ainda mencionam que fizeram cirurgia porque quiseram, e usam o bordão “meu corpo, minhas regras” como se estivessem fazendo algo fora da regra.

Fiquei intrigada.

Como a linguagem lírica pode ofender tanto? Se eu tivesse escrito um texto dissertativo, racionalista, racional talvez tivesse um pouco mais de receptividade, já que acredito nessas coisas que cito acima.

Por que o sagrado feminino é visto como opressão machista? Se, principalmente no Brasil, vivemos sob o domínio de religiões judaico cristãs, que são primordialmente centradas em um Deus masculino, onde a figura da divindade feminina foi excluída, ao passo que diversas outras religiões buscam a representatividade do feminino divino nos mostra a inversão do poder?

Como destacar o protagonismo e a mudança pessoal da mulher no parto é reducionista e ingênua?

Sim acho um absurdo a maneira como o parto é encaminhado. Desde o diagnostico até a saída do bebe ou sua retirada, as violências obstétricas, as cirurgias desnecessárias, os procedimentos invasivos …

Mas me espanta mesmo é o afastamento das mulheres da conexão com sua realidade feminina.

Não, isso não é afirmar ou aceitar a exclusão social e a submissão masculina. Quando falo de realidade feminina falo do poder de gerar e parir. Das condições e das transformações psíquicas, físicas, espirituais da mulher. Que é diferente do homem. Que tem questões próprias, que tem valor próprio, que tem interpretação própria.

Mas ainda temos muito que caminhar.

Falta consciência corporal, falta conhecimento sobre a subjetividade feminina, falta apoio nas redes das mulheres.

Mulheres que falam com mulheres e exercem um poder que objetifica, condena, regula, castra qualquer manifestação das mulheres. Por qualquer digo qualquer coisa que saia do padrão logico racional cientifico – que é também uma forma de dominação masculina da linguagem e do entendimento da vida.

O fato de mencionar instinto, sexto sentido, alma feminina e abordar um lado espiritual de um fenômeno especificamente da mulher, simplesmente traz a crítica racionalista de que estou operando dentro do sistema de opressão das mulheres.

Porque na luta do poder feminino, algumas afirmam em seus posicionamentos que é preciso abrir mão da subjetividade e do inconsciente feminino, que não há distinção entre homens e mulheres, e que afirmar a subjetividade é abrir espaço para a dominação masculina.

E enveredamos para o extremismo. Para a negação de tudo que nos alimenta, nos conecta com a natureza, nossa origem animal, nossa relação com os filhos, nossa constituição corporal, nossa sensibilidade e criatividade, nossa inteligência, nossas capacidades, nosso poder.

Ainda temos muito que caminhar.

De minha parte só me resta afirmar sim, o direito a exercer e buscar o lirismo, a intuição, a conexão com o sagrado feminino e o inconsciente feminino.

Sem que isso signifique aceitar a opressão e submissão masculina.

E ainda gostaria de afirmar que outras mulheres como Laura Gutman e Clarissa Pinkola estão aí contribuindo para a expansão de uma compreensão do inconsciente da mulher, das questões especificas da mulher.

E enquanto as próprias mulheres não tiverem acesso a esta compreensão, enquanto não reconhecerem e investigarem sua própria constituição, não haverá poder feminino.

 

Missão: maternidade

Meu companheiro deixou escapar que sente saudade de ter tempo pra ele, tempo de adulto, fazer coisas de adulto. A vida com bebê é cansativa, um mergulho intenso e profundo na infância e não sobra praticamente nenhum espaço para atividades adultas, sair, beber, assistir um filme ou qualquer coisa do tipo. As poucas horas depois que o bebê dorme e poderíamos investir em alguma atividade, estamos cansados demais para qualquer coisa, e logo precisamos dormir, pois em breve ela acordará de novo. É verdade que não há espaço para descanso e distrações, e que são todos os dias, sem feriado, fim de semana ou férias. Mas ainda assim fiquei um pouco chateada, será que ele não está curtindo a paternidade? Será que apesar da dedicação e presença (coisa rara nos dias de hoje) ele ainda gostaria de estar em outro lugar?

Depois refleti um pouco mais. Vejo diariamente relatos de mães exaustas, algumas infelizes e deprimidas. Vejo as nuances e profundidades do puerpério, baby blues, depressão pós parto, se estendendo pela vida do bebê e da mulher, as vezes por anos. Muitas mulheres se ressentem de alguma forma dessa mudança brusca e profunda que um bebê traz a vida de uma mãe.

Não é errado, nem feio nem egoísta desejar outras coisas. Ainda mais na sociedade paternalista e machista, onde se relega à mulher a maior parte da responsabilidade, e libera os machos. Também não quer dizer que não ama o filho. Apenas significa que o adulto é um ser complexo, que precisa de mais atividades do que “apenas” supervisionar um novo ser. A felicidade depende de tantos fatores não é mesmo? Alimentação, repouso, divertimento, segurança… Então quem sou eu para julgar o que outra pessoa sente, o que faz falta ou o que é necessário para que ela seja feliz?

Mergulhei em meus botões então. Será que eu tenho algo de errado? Eu não sinto nada. Não sinto falta do que eu era nem do que eu tinha. Não sinto falta das horas que me dedicava me embelezar, fazendo escova, maquiagem, depilação. Não sinto falta das horas que passava lendo, estudando, anotando, refletindo sobre assuntos diversos. Não sinto falta de contato com outros adultos, beber, conversar, sair, assistir peça de teatro, filme, dançar, madrugar, dormir até meio dia. E mesmo o trabalho, não sinto falta por mim, sinto necessidade de ter atividades produtivas para promover uma vida melhor para minha filha. Mas não uma “falta” que dê sentido a minha vida.

Gosto dessas coisas? Gosto, muito. Provavelmente voltarei a fazer algumas delas quando o tempo me permitir.

Mas desde que minha bebê nasceu não tenho tempo nem pra pensar. Mal consigo pentear os cabelos e escovar os dentes. Sentir saudade exige tempo para nostalgia. Só penso, ajo, estudo em função da criação da minha filha. Não consigo pensar em outra coisa. E mais: não consigo me interessar em outra coisa. Não há nada no mundo mais interessante do que criar um ser humano.

E apesar das noites mal dormidas, do cansaço eterno, do desinteresse em outras coisas da vida, nunca me senti tão conectada com minha alma, minha missão de vida. Sinto que estive me preparando para este momento há muito tempo. Não me levem a mal. Não estou dizendo que mulheres nasceram para ser mães, e que o chamado seja natural e instintivo. Nem que homens não podem ou não devem sentir isso. Estou dizendo que há algo de misterioso e grandioso que existe quando se reconhece o tamanho desta missão, o desejo de cumpri-la com o corpo, a alma e o coração.

Ter um filho é mais do que ser responsável, e exige mais do que se tornar maduro. Nos coloca em contato com a verdade das almas, o desejo de um destino que esteja coerente com a missão e anseio do próprio coração.

Sair, me divertir, me distrair não é prioridade, e não é minha vontade, sabe. Não sinto nisso alguma utilidade, ou algum “bem” que me faça tamanha diferença para sentir falta. Eu não sinto pena de mim mesma nem me ressinto por ter um bebê e não poder fazer certas coisas. Pelo contrário, sinto que tenho uma coisa muito importante, séria, divina para realizar, enquanto outros não tem tamanho compromisso. Me sinto muito importante, muito grandiosa ficando em casa.

Minha batatinha, a coisa mais importante da minha vida, deu um sentido, uma orientação, uma missão para mim. Que transcende o compromisso “com ela” ou com a “responsabilidade” de ser mãe. É algo maior do que as pessoas, maior do que eu, maior do que ela. É algo profundo e poderoso, e no entanto, sutil e etéreo. Está na conexão da mente-alma-espírito, e com o grande poder da Grande Alma, que nos une enquanto ser humanos, filhos descendentes de uma mesma origem, uma mesma mãe e um mesmo pai. E de dar continuidade a existência, em contribuir para um mundo melhor, formar um ser humano melhor. Dar a ela assistência para continuar existindo, alimento, aconchego, segurança, estrutura emocional. É como se eu tivesse dando isto de presente ao mundo. Um mundo tão triste, tão violentado, tão surrado. Necessitado de afeto, de segurança, de comprometimento.

Eu amo esta sensação. Estou ligada ao meu destino verdadeiro. E vou fazer tudo que for possível para realizar essa missão da melhor maneira possível. Mesmo que para isso eu deixe de trabalhar por um período; eu deixe de sair e encontrar pessoas; eu deixe de conhecer trabalhos e de fazer redes de contato; mesmo que para isso eu tenha que me defrontar com necessidades viciantes do dia a dia, com minha família, com meu marido, minha mãe. É um exercício de presença, de pensar e viver um dia de cada vez, e de mergulhar na existência em sua essência, as prioridades, as principais necessidades, e as distrações que nos impõe essa sociedade. E com o que desejamos para o mundo. Pensar a vida não se encerrando em mim mesma, mas como uma continuidade, um coletivo, algo que se estende, continua, e segue. É um alivio saber que não morrerei em meu corpo – algo de mim fica para depois.

O parto

O nascimento de um bebê. É o rompimento. A maior catarse que existe. Rompe-se terra e firmamento. Ficamos em suspenso: quem vem do céu? Alguém irá para lá? Suspense e suspensão do tempo-vida.

Confronta-se vida, morte, sentimento, pensamento, sexo. Tudo. Ao mesmo tempo. Compulsivo, convulsivo. Progressivo.

E a mulher passa por isso. Cada mulher parindo recria e revisita o big bang. A criação do universo, explosão, força, emoção.

E neste processo, ela mesma renasce. Morre, ao matar o que era antes, e agora não será mais possível na presença de um outro que é parte de si própria. E pari a si mesma uma outra, junto com seu duplo, seu broto, seu dedo, seu outro: seu filho.

Lindo! E cansativo. Exaustivo. Entorpecente. Mergulho na escuridão.

E dor. Muita dor. Uma dor absurda, uma dor obscura, pulsante, crescente, explosiva.

A sensação de partir-se ao meio. Corpo, alma, coração. Tudo.

Se há algo que me espantou no trabalho de parto é a dor. Por que tanta dor meu Deus? Por que tão difícil? Porque a vida há de ser tão dura? Como podemos desejar tranquilidade na vida se o ato de nascer é tão dolorido e difícil?

Quanto entendimento podemos extrair da experiência dessa dor? Entendimento da vida, de tudo que existe. Entendimento da paixão, do medo, do caos, da violência, da amplitude do universo, do tamanho ridículo do ser humano. Entendimento da amplitude e da insignificância. Majestosa e pueril. A DOR DA VIDA. Milagre. Amor.

Não me venham com medicamentos, sintéticos, higienização, assepsia. Analgésicos, bisturis, luvas e injeções. A esterilização da vida impede o contato com a realidade da vida. Isso nos afeta profundamente a alma! De todos nós! Uma humanidade que não quer se sujar. Um inconsciente coletivo inteiro fugindo da sombra. Isso só pode resultar em sofrimento, e doença. E pasmem: mais dor. A dor não revelada. A dor que se evita é a dor que mais dói. Porque você finge que ela não existe, e ela insiste em se fazer viva. Ela não permite ser ignorada. Mas você a ignora. E tarda mas não falha – na madrugada, no travesseiro, ou no silêncio do chuveiro ela pulsa. A dor ignorada pulsa diariamente.

O parto é sujo. Sujo de vida. Da mais visceral vida. Sujo de nossas entranhas, nossos medos, nossos fluídos. O parto é a pulsação orgânica da origem da vida. É nosso direito passar por isso. É nosso dever entrar em contato com isso. Cai a máscara, tira-se a maquiagem. O corpo nu, sem retoques, ao vivo, ele se basta. Só se chega no outro lado da margem serena se atravessarmos o rio. Pegar um atalho não nos garante tranquilidade. Vivemos atormentados por fantasmas do rio em que não entramos. A mulher que não pariu, a criança não parida, o pai que não assistiu – a humanidade inteira perdida.

Tanto mistério e tanto encantamento que provoca cientistas, filósofos e poetas. Ali. Exposto dentro. Dentro da carne viva de uma mulher que exausta berra, e com seu berro reproduz a onda primordial divina OM. O som primordial.

E é um absurdo o aprisionamento do nascimento em paredes brancas e esterilizadas. O parto é o trabalho mais espiritual e mais concreto que existe na face da vida da Terra. Era pra ser acompanhado somente por mulheres guia espirituais e que já tenham vivenciado tal rompimento. Nenhuma mulher sem filho deveria ser capaz de acompanhar um parto. Nenhum homem deveria ter tal habilitação. Estamos falando de como colocamos os seres humanos no planeta. E não de uma doença, e não de um caso raro ou exceção. Estamos falando de continuidade. Da história da nossa espécie. De prole. De parto, sangue, menstruação, ovulação, cólica, contração, puerpério, rompimento na alma. Qual médico estudou isso em sua complexidade?

Por que é fatal.

É uma passagem. Um túnel. Um caminho. Que ninguém sabe o que estará do outro lado.

Como não? Vem um bebê lindo, nasce uma mãe.

Também. Mas as camadas de vida que essa mãe atravessa, quase ninguém sabe dizer. Ninguém sequer arrisca enunciar essas dores.

Entramos em contato com nosso nascimento e vida, e com o mais comum em todas as vidas. A respiração, a pulsação, o instinto. Mulher-bicho. Mulher-loba. Mulher-universo.

Dentro da barriga e para fora dela, a recriação do mito da origem.

Morte a Adão e Eva. Morte ao big bang. Morte aos teóricos, teólogos, filósofos.

O segredo da origem da vida está guardado somente com as mulheres que parem.

Precisamos falar sobre isso. Homens, deem licença. Homens, espantem-se, admirem, repousem, respeitem. Aceitem o poder divino feminino colocado ali em uma mulher. Permitam que expurguem suas dores. Acompanhem, assistam mas não interfiram. São as mesmas dores da humanidade, dos homens e das mulheres, da mãe, do pai, do filho, da filha. Mas é a mulher que faz.

E da placenta. Porque fingimos que a placenta não existe? É ela a concretude de todo o trabalho, o resquício, o souvenir, a relíquia divina que nos permite curar e atravessar por isso. É ela, placenta o espirito santo materializado. O anjo que traz o filho. O sopro divino encarnado. Não pode ser descartado como uma caixa de remédio vazia. É preciso dar um encaminhamento para ela. Seja seu sepulcro, seja seu retorno, reciclado. Plantada, ingerida, carimbada. Isso vai facilitar a nova vida.

Ritual. A vida renasce e não permitem o ritual. Estamos carentes de rituais verdadeiros, pois os portais se abrem, e só pensamos em medidas cardíacas e assepsia. Não nos permitem nem acender velas para que se faça a luz.

E é isto que vai determinar o tamanho e o tempo da dor que essa mulher vai sentir, nas penumbras do puerpério.

Mulheres. Isso é urgente. Gestantes e pós-gestantes – precisamos nos unir. Orar por nossos filhos e filhas, e pelo nascimento dos que vem depois. Precisamos tomar as rédeas, aceitar o afloramento de nossos instintos e sexto sentido.

E olha que curioso. Só consegui produzir esse texto ao terceiro mês completo do nascimento de minha filha.

Precisamos falar sobre isso.

 

FINAL DE GESTAÇÃO

 

dsc_0024Tempo de gestar. Tempo de esperar. Tempo, tempo, sempre tempo.

Nada acontece, enquanto tudo acontece! Olhos, boca, intestino e pulmões se formam. E eu? Aqui, perdida entre o tempo e o espaço, entre querer e fazer, entre poder e não poder.

Angustia, ansiedade. A vida nunca mais será a mesma. Ou a vida vai voltar ao normal? Mal consigo andar até o banheiro. E preciso tanto, tantas vezes!

Sofrimento? Peso. Calor. Falta de ar. Queda de pressão. Desconforto. Dores no quadril, na coluna, cólicas, contrações aleatórias.

Eu me transformo. Sem o meu próprio consentimento. Meu corpo faz tudo sozinho, no automático, é lindo, é chato, é dolorido, é milagroso.

Quero me livrar. Quero mudar. Mutar. Vamos juntas, amiguinha, para outra vida?

O que esperar? Dores? Cansaço? Preocupaçoes? Amor. Muito amor mais amor tanto amor de explodir (literalmente) de amor.

Fúria. Força. Natureza, aqui estou, sua imagem e semelhança. Big bang em escala poeira cósmica, Fertilidade e gratidão divina em porções fracionadas de formiga. Comprometida até as vísceras.

EU, minha antiga eu, minha nova eu, e minha mini eu, todas nós aqui, discutindo, brigando, se amando, convivendo. Compartilhando comida, água, cama, pensamento, sentimento. Chute no estômago, cabeçadas na pelve. Cotovelada no fígado, pior coisa que existe.

Estou sofrendo. Estou em paz. Estou na lua. Estou no chão. Estou em todos os lugares. Onipresença. Divina?

Dentro de mim repousa, ansiosa e tranquilamente, uma outra. Que neste momento ainda sou eu.

Sabia que pode chegar a dez meses?

 

Das crises da gravidez e unicórnios 


Gestar é um estado muito especial, pra não dizer estranho. Dizem que é lindo, romantizam, admiram… a mulher se torna um ente respeitado e venerado, abrem os caminhos – e os assentos para elas, com todo respeito (quando há algum)… mas ninguém fala das dificuldades, dos surtos, das crises, dos inconvenientes…Estar grávida é abrir um parêntese na sua vida. Eu sou …. (nome, profissão, hobby, lazer) mas agora estou grávida. E talvez não consiga responder adequadamente quando solicitada por essa razão. Primeiro golpe na vida da mulher – não conseguir agir, responder, fazer coisas que anteriormente eram simples, como se concentrar no trabalho, ir até o mercado e trazer o que deseja, ou simplesmente limpar a casa.

Por um lado, uma medicina arbitrária, autoritária, alopática, cheia de ameaças, fórmulas prontas e procedimentos invasivos, violante e violentos. Uma medicina intervencionista, desumanizada e que se acha em poder superior a própria mãe em relação ao trato e saúde do bebê. Eu realmente queria entender a mente de uma pessoa que opta pela profissão de obstetra e decide que não faz parto, só cesárea. E todos os procedimentos que não são baseados em evidência científica, e sim em cultura e repetição dessa medicina doente. 

Não me levem a mal, sou muito a favor dos avanços científicos e da medicina moderna. Só que a difusão de técnicas e cirurgias simplesmente por conveniência, para acelerar o tempo do atendimento, ou para ganhar mais dinheiro é um absurdo. É urgente uma formação mais humanizada para os agentes de saúde, especialmente os médicos. 

De outro lado, uma comunidade de pessoas ( amigos, familiares, conhecidos) ansiosas, às vezes beirando a histeria para saber o sexo, o nome, o hospital, a data… uma pressa, uma agitação que é o oposto do que a gestante precisa… afinal gerar requisita tempo, paciência, doação…

Sem falar dos palpites… conselhos não pedidos, experiências infelizes, reflexos da sociedade doente. Todo mundo meio que se sente no dever ou na condição de aconselhar dizendo as maiores barbaridades sem nem perguntar o que você está pensando sobre tal assunto ou como está se preparando. Reconheço a boa intenção em muitos, mas me dói a arbitrariedade e a banalidade de conselhos que ignora uma série de questões que hoje em dia estamos debatendo se realmente são saudáveis ou fazem bem para o bebê – só pra citar alguns exemplos: aleitamento materno exclusivo, dormir no berço, uso de chupetas e mamadeiras, fraldas descartáveis ou de pano, introdução alimentar, alimentos industrializados… reflexos de uma sociedade de consumo, pós moderna e caótica como a nossa.

E no meio disso tudo, um corpo, que se transforma a cada dia, mudando tudo na rotina da mulher. Desde o banho, até as roupas, passando pelos hábitos diários, interesses e auto estima.

Em nenhum momento eu me senti bonita. Me sinto estranha, inadequada, desengonçada. Inchada, pés largos, peitos e barriga imensos. Muita acne e alergias de contato, cabelo oleoso (a vida toda tive cabelo seco), postura horrorosa, coluna que puxa ora na lordose, ora na cifose… ombros caídos, braços largos, sono e cansaço absurdo… em oposição a dificuldades de dormir, palpitações, falta de ar, fome exagerada, enjoos… e crises. Vontade de chorar, tempestades volúveis que surgem do nada. Queria me fechar no meu canto e solucionar os problemas com uma varinha de condão.

Nas crises mergulho em sentimentos variados que vão desde eu não consigo mais varrer o chão até coisas profundas de auto estima, maturidade, crescimento pessoal.

Não tem mais espaço pra infantilidades. É tempo de crescer, outra criança toma a vez. Tudo que foi ficando pra trás volta de maneira assombrosa. Sentimentos reprimidos, decisões adiadas, pequenos problemas mal resolvidos.

E ali, no auge da crise, uma pessoa te olha. Por dentro. Tem uma pessoa te vendo, e vendo tudo, acompanhando teus pensamentos, sentimentos, decisões. Talvez ela não compreenda tudo, mas com certeza acompanha… como um filme japonês sem legenda, ou um cachorro que escuta a conversa do dono. Não tem capacidade de compreender a linguagem, mas a comunicação se dá, isso é fato.

Duro encarar a humanidade de nossos processos, os limites, as falhas, as sombras. E ainda ter a certeza de que é justamente essa parte que vai refletir na pessoinha, aquilo que você ainda não digeriu, esconde debaixo do tapete ou no fundo do esquecimento da sua memória.

É preciso muita calma e coragem para se tornar mãe. Calma para não surtar a cada minuto. E coragem para encarar a si própria e a uma sociedade inteira mal resolvida… porque o ser humaninho que vem não tem culpa, não tem moral nem julgamentos… isso tudo fomos nós que criamos.

Meu marido teve uma conversa muito franca comigo e disse que pra ele as grávidas são como unicórnios. Não tem muita explicação, apenas deveriam ser deixadas a uma vontade… receber uma licença poética e fazer só o que quiserem e os outros que aceitem , com respeito. Porque não dá mesmo pra entender a não ser que se passe pela situação.

Grávida

Engravidei.

Não vou dizer que não queria. Queria. Inconscientemente já pensava, desejava, me afligia pela minha idade, pelos ciclos que passei e que ainda não aflorava este lado materno, feminino, familiar, que tantas amigas e familiares já passaram.

Passei por um período de transformação. Adoeci, por medo de enfrentar certos desafios com pessoas que, em certo processo, acabei cedendo mais do que deveria, compactuando com escolhas e pensamentos que no fundo da minha alma, não concordo. Então, meditei, refleti, analisei. E me curei. Ou pelo menos, busquei a cura. Sai em busca de força, de renovação. Cortei o cabelo, me libertando do medo. Do medo do novo, medo da ousadia, do diferente. Algo que sempre quis, achava lindo em outras pessoas, mas que nunca realizava em mim. Então tomei coragem e cortei.

E neste corte, abri espaço para os desafios, para me tornar algo que tinha medo de ser. Passei a expressar opiniões que guardava dentro, passei a enfrentar situações e pessoas que de certo modo eu evitava, e na fuga, sofria.

E me deparei com minha força interna. Meu ser feminino, minha fertilidade, minha libido. Castrada por vinte anos através de anticoncepcional hormonal, comecei a ler sobre ciclos de lua branca e lua vermelha, sobre nossa imaginação, nossa subjetivação. E decidi que queria parar com aquele controle, aquela castração hormonal, me reconectar com a natureza, com o sagrado feminino, a força da Deusa. Pedi perdão ao meu útero por não permitir seu ciclo completo, pelo limite imposto, pelo meu despreparo, minha fuga, ignorância. Eu não estava preparada para me auto regular, eu abdiquei desse contato com a bruxaria, com as camadas profundas da minha existência (que conheci na adolescência) e também do poder que a força de nosso útero e nossos ovários nos dão.

Aliás, vejo nisso um forte reflexo das incapacidades das mulheres da sociedade. Ainda somos castradas hormonalmente, sexualmente, subjulgadas a homens que nunca tiveram que controlar seus impulsos, seus desejos, seus hormônios. Precisamos retomar nossa existência completa, nosso verdadeiro ser. Seguir nossos desejos, dar valor e vazão aos nossos impulsos. Para ser em sua totalidade, e não em parte, para expressar o todo que temos e não apenas a parte possível. Controle de fertilidade não pode ser associado ao controle hormonal, pois nosso corpo é todo controlado por hormônios e neurônios, e a ausência de qualquer um deles é fundamental para a integridade psíquica, física, e emocional.

Foi maravilhoso. Realizei meu trabalho com garra, nunca fui tão expressiva como atriz, nunca concentrei tanta energia para meus projetos. Estreei uma peça nova, e vivi com intensidade um prazer, uma realização profissional-pessoal-emocional forte. Porque ser artista é revelar por dentro, é ter sentimentos e energia, é expressão, e isto veio à tona sem pensamentos, sem freios. Foi uma primavera em mim. E nesta busca, assim, na emersão de tanta coisa que estava submersa, no afloramento de tudo que era fechado, escondido, rejeitado, eis que uma semana depois engravidei.

Choque, surpresa. Sempre. Não esperava, não buscava. Crise existencial, valores invertidos, questões profundas a serem encaradas para este desafio. Mas também realização, conexão, poder. Estar grávida é estar gerando algo maior do que nós mesmas. Viver uma vida de divindade, onde as pessoas respeitam, ovacionam, cortejam. À sua imagem e semelhança, um milagre que se opera, algo que nos move, nos transforma, e se apropria do que somos, passamos a ser uma bola, um ninho, qualquer coisa menos nós mesmas.

É bom? É. Mas é ruim também. Eu não sei em que momento da vida na Terra isso se tornou mais evoluído do que botar um ovo. Porque seria tão mais fácil, botava o ovo, fazia um ninho bonito, comprava uns cueiros, um aquecedor elétrico, revezava com o parceiro a vigia, e a vida seguiria.

Mas não, somos mamíferas, somos seres fusionados. Um ser dentro de outro ser. Boneca russa. Um ser que sente, reflete, cresce, reage ao que somos, fazemos, sentimos. É doído, é cansativo. Mas é a maior transformação que um ser humano pode ter.

E para quem tem medo de não ter apoio, de não ter dinheiro, de não conseguir, eu no auge das minhas dores, não posso reclamar, tenho muito apoio, demorei muito tempo para me permitir considerar, e realizar, não acho que deva ser feito no impulso nem na imaturidade, mas acho que todo ser humano deveria passar por isso. Para se conhecer, não somente a si mesmo, mas a humanidade.

No momento em que descobri que estava gravida, eu andava pelas ruas e olhava ao redor. E as pessoas que eu via me parecia tão mais humanas. Pensar em pessoas odiosas, pessoas que não gosto, se tornou algo mais ameno, penso que essas pessoas têm mãe, tem pai, em algum momento foram amadas (ou não, e eis aqui a questão). Aquela caixa mal humorada do supermercado, talvez ela mesma seja mãe, e está cansada e ainda vai chegar em casa dar conta de seus filhos. E as pessoas no metro, empurrando umas às outras, cansadas e abatidas, todas foram bebês, e foram criadas por seus pais/mães, ou quem assumiu esse papel.

Então me acalmei. Se todos passaram por isso, eu também vou passar. E vai ser cansativo, talvez difícil, mas é o preço de ser humano, e de ser mulher liberta. Mulher completa com hormônios, com prazer, com impulso. Tudo.

A Alma é imoral

O livro A alma imoral foi escrito pelo rabino Nilton Bonder e traz uma grande elocubração filosófica sobre aspectos da nossa alma. Partindo da Evolução Darwinista, passando pela psicologia evolucionista, referências bíblicas e parábolas, o autor nos convida a compreender melhor nossa própria natureza.

O próprio título já é maravilhoso: a alma imoral. A alma não tem moral, não segue regras, não se adapta a padrões. A alma é livre, e tem a natureza transgressora. Além de ser um lindo conceito se torna mais lindo ainda sendo concebido por um teólogo que não se fecha nos dogmas de sua religião para explorar sua elocubração sobre traição.

A traição, para a alma é o apego. A alma é livre e mutável, deseja o movimento, e estacionar em alguma coisa que crie uma condição para a própria existência é trair a alma. Isto é tão verdade quando deixamos de seguir nossos desejos, nossos impulsos, nossas paixões para cumprir acordos e regras que nos fazem monótonos e infelizes!

Por outro lado, a traição, no senso comum, que rompe acordos com parceiros, que propõe ações diferentes do previamente combinado, também não é satisfatória, nos traz culpa, medos, e causa sofrimento aos que amamos.

Assim, tanto o excesso de apego quanto o rompimento brusco são duas formas de traição – trair a alma, e trair o corpo. E nosso desafio é passar pela existência de maneira a discernir quando é que estacionar é uma traição, e quando uma traição é fidelidade à própria alma.

Já que a nossa alma possui mesmo a natureza da transgressão, sair dos padrões e realizar feitos diferentes são impulsos genuínos que expressam melhor nossa espiritualidade.

O livro foi adaptado para os palcos com a atriz Clarisse Niskier, e recebeu diversos prêmios. Recomendo!

 

 

Consumo consciente

Comprando ou boicotando as marcas, a gente pode ajudar o mundo a melhorar!

Vamos investigar quais marcas tercerizam os trabalhos, ou usam trabalho escravo, ou impactam o meio ambiente e tentar boicotar??

Sempre tem marcas alternativas que podem oferecer o mesmo serviço/produto com um pouco mais de comprometimento ético-social-ambiental.

Se souber de algum link/noticia que denuncie essas empresas, deixe no comentário abaixo!